Domingo, 29 de Julho de 2012

5º episódio - "A Bactéria Devastadora"

Autohemoterapia Brasil compartilhou um status
23 de Julho
Dr. Jorge Martins Cardoso - Artigo 98 - 5º episódio.

Auto-hemoterapia, Dr. Fleming e os antibióticos...

Artigo 98 - (XCVIII)

Inflamações, infecções e complicações...

5º episódio - "A Bactéria Devastadora" - A estudante americana Aimee Copeland, de 24 anos, aproveitou a terça-feira de folga, 1º de maio, para relaxar na pequena cidade de Tallapoosa, no estado da Georgia (a*). Com apenas 3.000 habitantes, Tallapoosa é conhecida pelas atividades aquáticas no rio que a corta e leva seu nome. Aimee escolheu a tirolesa (b*). Logo no início da travessia, porém, a corda na qual ela se agarrava rompeu-se e a moça caiu na água. O acidente deixou um corte em sua panturrilha esquerda. (1).

1º intervalo musical - Olha que coisa mais linda/mais cheia de graça/que vem e que passa/no doce balanço a caminho do mar.

Levada ao hospital, recebeu 22 pontos cirúrgicos e a indicação de ir para casa e tomar analgésico. Três dias depois, Aimee foi internada com febre alta e dores na perna machucada. Os exames revelaram que ela havia contraído uma doença infecciosa grave e rara, chamada fasciite necrosante, causada por um tipo de bactéria que vive na água, a Aeromonas hydrophila. O microorganismo invadira seu corpo por meio do ferimento. No mesmo dia da internação, Aimee teve a perna esquerda amputada. Até a semana passada, ela havia perdido o pé direito, as duas mãos e parte do abdômen. (1).

2º intervalo musical - Moça do corpo dourado/do sol de Ipanema/o seu balançado é mais que um poema/é a coisa mais linda que eu já vi passar.

A aeromonas hydrophila é uma bactéria extremamente tóxica. Cinco em cada dez pacientes acometidos por ela morrem em 48 horas. Chamadas de comedoras de carne, tais bactérias se alimentam da gordura subcutânea. Enquanto se multiplica, o microorganismo libera a toxina A, um composto capaz de provocar a morte instantânea das células atingidas. A velocidade de destruição causa um segundo dano. "As células mortas eliminam outras substâncias tóxicas que caem na corrente sanguínea agravando a infecção", diz o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo. (1).

3º intervalo musical - Ah, porque estou tão sozinho/Ah, porque tudo é tão triste/ Ah, a beleza que existe/a beleza que não é só minha/que também passa sozinha.

Há outra agravante. A bactéria acaba sendo protegida pelos tecidos mortos ao seu redor, e os medicamentos não podem atingi-la, ante a inexistência de circulação de sangue próximo dela. O tratamento é cirúrgico - 70% dos pacientes sofrem amputação. Além da Aeromonas hydrophila, há outras bactérias produtoras da toxina A, de efeito semelhante. Entre elas, Staphylococcus aureus (presente na pele) e Clostridium perfringens (presente no solo). (1).

4º intervalo musical - Ah, se ela soubesse/que quando ela passa/o mundo inteirinho se enche de graça/e fica mais lindo/por causa do amor/por causa do amor/por causa do amor.

Na maioria das vezes, o sistema imunológico combate naturalmente essas bactérias. Tratamento: remoção do tecido necrosado e uso de antibiótico, sobretudo a penicilina. (1).

Vejamos o que diz o livro de microbiologia médica sobre a bactéria Aeromonas hydrophila. A danadinha é encontrada no capítulo 20, quando estudamos Microrganismos Patogênicos Diversos. A Aeromonas hydrophila é um bastonete Gram-negativo, móvel, comumente encontrado em produtos marinhos, solo, alimentos, e, raramente, a partir de fontes humanas. Pode encontrar-se em bacteremias, em pessoas com as defesas orgânicas seriamente comprometidas. Também isola-se, ocasionalmente, de fezes de pacientes com diarréia. (2).

Pesquisando sobre a gravíssima fasciite necrosante (agradecemos a valiosa colaboração do nosso querido amigo Dr. Google), descobrimos que em abril de 1994, no Hospital Geral de Gloucester (Inglaterra), ocorreram alguns casos dessa enfermidade, o que foi abordado com muito sensasionalismo pelos jornais britânicos "Evening Standard" e "Daily Mirror". Em agosto de 1994, no Brasil, a revista SUPER Interessante também divulgou o assunto com o título: "Fasciite necrolizante e Estreptococo A: Bactérias que mordiam". À expressão "bactéria devoradora de carne humana", a revista retrucou: Outra imagem que não procede é da bactéria comendo os tecidos do corpo. "Devoradora?", espanta-se o médico Phillipe Lagrange, do Hospital Saint Louis, de Paris. "Ora, o estreptococo não devora nada. Os tecidos são destruídos pela reação do organismo à sua presença". Segundo Lagrange, o micróbio induz o corpo a realizar essa destruição, porque é do seu interesse. "O pus e as enzimas de defesa só facilitam a sua propagação." (3).

De acordo com especialistas, para que a fasciite necrotizante apareça, é preciso que o paciente esteja imunodeprimido (com o número de céulas de defesa abaixo do normal), como no caso de idosos ou de quem acabou de passar por uma cirurgia. (3).

Acrescenta a SUPER Interessante: "Mas a bactéria não é o fator mais importante e, sim, o paciente enfraquecido", conta o médico Edmundo Machado Ferraz, da Universidade Federal de Pernambuco. (3).

Os micróbios que causaram furor em Gloucester são de cepas diferentes, conclui a revista. (3).

Observação - Fasciite necrosante, fasciite necrolizante, fasciite necrotizante ou fasciite necrótica vem a ser a inflamação da fáscia, uma espécie de capa protetora que reveste os músculos. Tal inflamação pode ser produzida por uma bactéria sozinha ou por uma combinação delas. Geralmente são infecções resistentes aos antibióticos. O tratamento cirúrgico deve ser realizado o mais rápido possível, para remover os tecidos necrosados, e assim, dar passagem aos antibióticos e principalmente às células brancas.

Outra observação - Ontem - No caso do Hospital da Inglaterra, foi considerado vilão o Estreptococo A. Hoje - No caso do Hospital dos Estados Unidos, estão sendo consideradas vilãs as Aeromonas hydrophila. Amanhã - Em qualquer Hospital do mundo, serão consideradas vilãs qualquer tipo de bactéria, desde que elas encontrem um terreno fértil (pessoas enfraquecidas imunologicamente). De acordo com o texto da revista Veja, a estudante Aimee foi internada três dias após o acidente, sentido dores na perna machucada e apresentando febre alta, o que é um forte indicativo de infecção. Como no mesmo dia do internamento ela têve a perna esquerda amputada, é de se imaginar que estivesse com uma infecção gravíssima nesta região. No entanto, fica-se sem saber o que aconteceu, exatamente, entre o dia do acidente e o dia da internação. Os 22 pontos cirúrgicos chegaram a contribuir para a infecção? Qual o medicamento ou quais os medicamentos que ela usou durante esses três dias? Qual o estado psicológico dela? E, o que é mais difícil, qual o estado imunológico da paciente durante esse período? De qualquer maneira, em casos de infecção (preventivamente ou curativamente), a auto-hemoterapia é indicada. Quanto mais cedo ela for realizada melhor. Mas... No próximo artigo, o 6º e último episódio com a tríade inflamações, infecções e complicações. Não percam.

(a*) - Georgia - É um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na região sudeste do país. Sua capital é Atlanta. É em Atlanta que se encontra o famoso C. D. C. (Centers for Disease Control and Prevention). E o C. D. C. é um dos locais aonde se encontra armazenado o temível vírus da varíola. O outro local é um laboratório próximo à Moscou. (3). (b*) - Tirolesa - Atividade esportiva de aventura, originária da região de Tirol, na Áustria. É considerado um esporte radical. (3).

Alô leitores musicais - A música é uma famosa canção da Bossa Nova, lançada em 1962, chamada "Garota de Ipanema", cujos autores são Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980). (3).

Se Deus nos permitir voltaremos outro dia. Boa leitura e bom dia.

Aracaju, 14 de julho de 2012.

Jorge Martins Cardoso - Médico - CRM 573.

Fontes: (1) - Revista Veja - Editora Abril - Edição nº 2.272 - Ano 45 - Nº 23 - 6 de junho de 2012 - Páginas 7 e 126 - Medicina - Bactéria está devorando uma jovem americana aos poucos. (página 7) - Tiragem - 1.205.759 exemplares. (2) - Microbiologia Médica - Ernest Jawetz, Joseph L. Melnick e Edward A. Adelberg - Editora Guanabara Koogan S. A. - Rio de Janeiro, GB - 1970 - 8ª Edição Americana - 2ª Edição Brasileira - página 248 - (534 páginas). (3) - Dra. Internet, Dr. Google e Dra. Wikipédia.
publicado por divagomessa às 22:34
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